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Aterramento elétrico: esquemas TN, TT e IT e sinais de aterramento ruim

Aterramento elétrico: entenda os esquemas TN, TT e IT, o que a NBR 5410 pede e os sinais de aterramento ruim. FULLTEK em Salto e região.

Barra de aterramento e equipotencialização com condutores de proteção verde-amarelos

Introdução

Um “choquinho” ao encostar na geladeira, uma tomada de três pinos em que o terceiro não está ligado a nada, um fio terra que termina solto dentro da caixa. Situações assim, comuns em casas, condomínios e comércios em Salto e região, quase sempre apontam para um aterramento elétrico ausente, mal executado ou degradado.

O aterramento dá um caminho seguro para a corrente quando um aparelho apresenta defeito e permite que as proteções desliguem o circuito a tempo. Neste artigo, você vai entender o que é o aterramento, como funcionam os esquemas TN, TT e IT, por que o famoso “10 ohms” não é uma regra universal e quais sinais indicam que é hora de chamar um profissional.

O que é aterramento elétrico e para que serve

Aterramento elétrico é a ligação intencional de partes da instalação à terra, por meio de eletrodos (hastes, malhas, a própria armadura da fundação, conforme o projeto) e de condutores.

O aterramento de proteção cumpre dois papéis:

  • Proteger pessoas. As partes metálicas dos equipamentos (as “massas”: carcaça de chuveiro, geladeira, máquina de lavar, motor, painel) são ligadas ao condutor de proteção, o “fio terra”. Se um fio energizado encostar na carcaça, a corrente de falta tem um caminho definido, em vez de passar pelo corpo de quem toca o equipamento.
  • Permitir que a proteção atue. Esse caminho é o que faz o disjuntor ou o DR perceber a falta e desligar o circuito. A NBR 5410 trata disso como seccionamento automático da alimentação (item 5.1.2.2): a instalação precisa ser projetada para que, numa falta, o circuito seja desligado automaticamente, evitando que uma tensão de contato perigosa permaneça nas massas.

Neutro não é terra

Esse é o equívoco mais perigoso. O neutro é um condutor do circuito: ele conduz corrente em funcionamento normal. O condutor de proteção (PE, o fio terra) só deve conduzir corrente em caso de falta.

Ligar o terra da tomada ao neutro, fazer “ponte” entre os dois ou deixar o fio terra solto não são soluções, são riscos: se o neutro se romper ou tiver mau contato, a carcaça do equipamento pode ficar energizada. A única exceção prevista em norma é o condutor PEN do esquema TN-C, que acumula as duas funções sob condições específicas, e que nunca pode existir depois de um DR, como explicamos no artigo sobre o dispositivo DR: com PEN a jusante, o DR não funciona.

Os esquemas de aterramento: TN, TT e IT

A NBR 5410 classifica os esquemas de aterramento no item 4.2.2.2. As letras seguem uma lógica simples:

  • Primeira letra: como a alimentação (o transformador ou a fonte) se relaciona com a terra. T significa um ponto diretamente aterrado; I significa isolado da terra ou aterrado por meio de uma impedância.
  • Segunda letra: como as massas da instalação se relacionam com a terra. T significa massas ligadas a um eletrodo de aterramento próprio; N significa massas ligadas ao ponto aterrado da alimentação, por meio de condutor.

Esquema TN (TN-S, TN-C e TN-C-S)

No TN, as massas são ligadas, por condutor, ao ponto aterrado da alimentação. Numa falta, a corrente volta por esse condutor e a situação se aproxima de um curto-circuito, o que permite o desligamento pelo dispositivo de proteção. Há três variações:

  • TN-S: neutro e proteção separados em toda a instalação.
  • TN-C: neutro e proteção reunidos em um só condutor (PEN) em toda a instalação. Não admite DR.
  • TN-C-S: o PEN chega junto e, a partir de um ponto da instalação, é separado em neutro e condutor de proteção, que não voltam a se unir.

O TN-C-S é o arranjo mais comum na entrada de baixa tensão atendida por concessionária. Ainda assim, o esquema de cada imóvel deve ser confirmado no local e no padrão de entrada, e não presumido.

Esquema TT

No TT, as massas da instalação são ligadas a um eletrodo de aterramento próprio, independente do aterramento da alimentação. A corrente de falta passa pela terra e tende a ser menor, muitas vezes insuficiente para desarmar um disjuntor. Por isso, no TT, a proteção costuma depender do DR, e o que importa é a coordenação entre a resistência do eletrodo e a corrente de atuação do DR, para que a tensão de contato fique dentro do limite.

Esquema IT

No IT, a alimentação é isolada da terra ou aterrada por impedância. Uma primeira falta à massa não precisa, necessariamente, desligar tudo, mas exige monitoramento permanente da isolação e localização rápida do defeito; uma segunda falta deve provocar o desligamento. É um esquema típico de processos contínuos na indústria e de locais médicos (IT-médico, tratado na NBR 13534). Não é solução para residências.

Qual esquema adotar, ou como adaptar o existente, é decisão de projeto e ponto central de qualquer serviço de infraestrutura elétrica.

O mito dos “10 ohms”

É comum ouvir que “a norma exige aterramento com no máximo 10 ohms”. Para instalações de baixa tensão, a NBR 5410 não fixa um valor universal de resistência de aterramento. O que ela exige é que a proteção funcione: no esquema TT, por exemplo, a resistência do eletrodo precisa ser coordenada com o DR escolhido.

Para sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), a NBR 5419 recomenda um valor baixo como referência, o que é outra discussão, com outro objetivo.

Uma haste não garante um bom aterramento

Uma haste cravada no quintal com um fio ligado nela não garante nada. O desempenho depende do tipo de solo, da umidade, do número e da disposição dos eletrodos, da qualidade das conexões e da continuidade do condutor de proteção até cada massa.

A forma confiável de saber é medir, com terrômetro e pelo método adequado à situação, feito por profissional qualificado. O alicate terrômetro é útil em alguns casos, mas não substitui a medição convencional em qualquer situação.

Aterramento sem equipotencialização não resolve

A NBR 5410 trata aterramento e equipotencialização juntos (seção 6.4). Equipotencializar é interligar massas e elementos condutores da edificação (tubulações e estruturas metálicas, eletrodutos e eletrocalhas metálicos) a um ponto comum, o BEP (barramento de equipotencialização principal), para que não surjam diferenças de tensão perigosas entre eles.

Aterramento sem equipotencialização não resolve. Ela também é a base para o DPS (dispositivo de proteção contra surtos) funcionar, tema de um próximo artigo aqui no blog.

Sinais de aterramento ruim

Fique atento a estes sinais:

  1. Choque ou formigamento ao tocar carcaça de chuveiro, torneira elétrica, geladeira, máquina de lavar ou gabinete de computador. Se sentir choque, pare de usar o aparelho e desligue o circuito no quadro até a avaliação.
  2. Tomadas de três pinos sem o terra ligado, ou adaptadores que eliminam o pino de terra.
  3. Terra ligado ao neutro na tomada ou no quadro (“ponte”).
  4. Fio terra solto, cortado ou sem continuidade até o quadro.
  5. Conexões oxidadas ou soltas na haste, sem caixa de inspeção ou impossíveis de verificar.
  6. Ausência de BEP ou de ligação das tubulações e estruturas metálicas.
  7. Quadro antigo com PEN e circuitos novos acrescentados sem projeto.

Nenhum desses sinais se resolve com improviso: chame um eletricista qualificado para inspecionar, medir e corrigir. Em instalações antigas, a correção muitas vezes faz parte de uma adequação e modernização elétrica, com revisão do quadro e separação de neutro e proteção.

O aterramento também se degrada com o tempo (corrosão, conexões frouxas), e a verificação deve fazer parte da rotina de manutenção elétrica preventiva, com periodicidade definida conforme o uso e a criticidade da instalação.

Nas empresas, a NR-10 vigente determina que o aterramento seja executado conforme a regulamentação dos órgãos competentes (item 10.2.8.3). E, nas relações de consumo, o Código de Defesa do Consumidor (art. 39, VIII) proíbe colocar no mercado serviço em desacordo com as normas dos órgãos oficiais competentes ou, se não houver norma específica, com as da ABNT.

Como a FULLTEK ajuda

A FULLTEK atende casas, condomínios, comércios e indústrias em Salto, Itu, Indaiatuba e região com serviços de infraestrutura elétrica: identificação do esquema de aterramento existente, medição com instrumento adequado, projeto e execução de malhas e eletrodos, instalação do BEP, separação de neutro e proteção e compatibilização com DR e demais proteções.

Perguntas frequentes

Posso ligar o fio terra no neutro?
Não. Neutro não é terra. Essa ligação pode energizar a carcaça do equipamento se o neutro falhar e impede o funcionamento correto do DR.

Qual deve ser o valor da resistência de aterramento?
Para instalações de baixa tensão, a NBR 5410 não fixa um valor único. O valor adequado depende do esquema e da proteção adotada, e é definido em projeto.

Minha casa é TN ou TT?
Depende do padrão de entrada e de como a instalação foi feita. Só a inspeção no local confirma.

Tenho DR. Ainda preciso de aterramento?
Sim. O DR é proteção adicional e não substitui o aterramento nem a equipotencialização.

Conclusão e próximo passo

Um bom aterramento elétrico envolve o esquema correto, condutor de proteção contínuo, equipotencialização e proteções coordenadas. Diante de qualquer sinal de alerta, avalie antes que vire acidente.

Quer saber se o seu aterramento está em ordem? Fale com a FULLTEK.

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Autor: Equipe FULLTEK

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