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DPS: quando usar protetor de surto na sua instalação elétrica

DPS: entenda quando usar protetor de surto, a diferença para SPDA e filtro de linha e o que a NBR 5410 pede. FULLTEK em Salto e região.

DPS de quadro elétrico com indicador verde — FULLTEK

Introdução

Uma tempestade forte à noite e, na manhã seguinte, o portão eletrônico não abre, o modem não liga e a placa da geladeira queimou. Quem mora ou trabalha em Salto e região conhece bem esse roteiro. Muitas vezes, o culpado é um surto elétrico: uma sobretensão de curtíssima duração que entra pela rede e danifica os equipamentos ligados a ela.

O DPS (dispositivo de proteção contra surtos) foi feito para isso. Neste artigo, você vai entender o que é o DPS, o que ele protege e o que ele não protege, a diferença entre DPS e SPDA (o para-raios), os tipos 1, 2 e 3, por que a instalação faz toda a diferença e por que o filtro de linha não substitui o DPS do quadro.

O que é DPS e o que é um surto

DPS é a sigla de dispositivo de proteção contra surtos. Ele fica instalado, em geral, no quadro de distribuição, ligado entre os condutores da instalação e o sistema de aterramento.

Em funcionamento normal, o DPS fica “parado”. Quando chega uma sobretensão transitória (o surto), ele passa a conduzir por um instante e desvia boa parte dessa energia para a terra, limitando a tensão que chega aos equipamentos.

Os surtos podem ter várias origens:

  • descargas atmosféricas que atingem a rede, a edificação ou um ponto próximo e induzem sobretensões nos cabos;
  • manobras na rede da concessionária ou na própria instalação, como o religamento após uma falta de energia;
  • liga e desliga de cargas grandes, como motores e compressores, comum em comércios e indústrias.

A NBR 5410, norma de instalações elétricas de baixa tensão, trata da proteção contra sobretensões no item 5.4.2 e da seleção e instalação dos DPS no item 6.3.5.

O que o DPS protege e o que ele não protege

O DPS protege a instalação e os equipamentos contra surtos conduzidos, isto é, as sobretensões que chegam pelos condutores: pela entrada de energia, pelos cabos que interligam os quadros e, quando há DPS específico, pelas linhas de telefone, dados e antena.

O DPS não protege a edificação contra o impacto direto de um raio. Nenhum dispositivo oferece proteção total contra raios. O que um sistema bem projetado faz é reduzir o risco de dano.

DPS não é SPDA (e SPDA não é DPS)

Essa é a confusão mais comum, e vale deixar a divisão bem clara:

  • SPDA (sistema de proteção contra descargas atmosféricas, o conhecido “para-raios”) protege a estrutura e as pessoas dentro dela contra os efeitos do impacto direto do raio: captação, descida e dispersão da corrente na terra. O SPDA não protege os equipamentos eletroeletrônicos contra os surtos que chegam pela fiação.
  • DPS, junto com o aterramento e a equipotencialização, protege as instalações e os equipamentos contra os surtos conduzidos.

Os dois se complementam. A NBR 5419 trata do tema em quatro partes: princípios gerais (parte 1), análise de risco (parte 2), danos físicos à estrutura e perigo à vida, que é onde está o SPDA (parte 3), e sistemas elétricos e eletrônicos internos (parte 4). A parte 4 descreve as MPS (medidas de proteção contra surtos), das quais o DPS faz parte, ao lado do aterramento, da equipotencialização, da blindagem e do roteamento adequado dos cabos.

DPS também não é DR

Outro engano frequente é achar que DPS e DR fazem a mesma coisa. Como explicamos no artigo sobre o dispositivo DR, o DR protege pessoas contra choque elétrico, desligando o circuito quando detecta fuga de corrente. O DPS protege equipamentos e instalações contra sobretensões. Um não substitui o outro.

Tipos de DPS: 1, 2 e 3 (classes I, II e III)

Os DPS são classificados conforme o ensaio a que são submetidos, definido pela série de normas de produto NBR IEC 61643. Na prática, fala-se em tipo 1, tipo 2 e tipo 3 (ou classes I, II e III):

  • Tipo 1 (classe I): feito para suportar parcelas da corrente de uma descarga atmosférica que chega pela instalação. Fica no ponto de entrada da energia ou no quadro geral. Costuma ser necessário quando a edificação tem SPDA ou quando a alimentação chega por linha aérea exposta a descargas.
  • Tipo 2 (classe II): o mais comum nos quadros de distribuição. Protege contra surtos induzidos e de manobra e limita a sobretensão que segue para os circuitos.
  • Tipo 3 (classe III): proteção fina, instalada perto de equipamentos sensíveis, sempre como complemento de um DPS a montante, nunca sozinho.

Esses tipos funcionam em coordenação: cada estágio reduz o surto para o seguinte, e eles precisam ser escolhidos e posicionados para trabalhar juntos. Não basta comprar “o DPS mais forte” e colocar em qualquer lugar.

Qual tipo usar, quantos, onde e com quais características é decisão de projeto. A especificação leva em conta o esquema de aterramento, a existência de SPDA, o tipo de entrada, a análise de risco da NBR 5419 e os dados do fabricante. Esse é o tipo de definição que faz parte de um projeto de instalações elétricas bem feito.

Sem aterramento e equipotencialização, o DPS não funciona

O DPS só consegue desviar o surto se houver para onde desviar. Sem um aterramento adequado e sem equipotencialização, ele simplesmente não cumpre a função, por melhor que seja o produto.

Por isso, o DPS precisa estar ligado ao condutor de proteção e ao barramento de equipotencialização (BEP), interligando as massas, as tubulações e estruturas metálicas e, quando houver, o SPDA. Explicamos esses conceitos em detalhe no artigo sobre aterramento elétrico e os esquemas TN, TT e IT. Se o aterramento estiver ausente ou ruim, essa é a primeira correção a fazer, antes de pensar em DPS.

Instalação: condutores curtos e retos

Um detalhe de montagem que faz muita diferença: os condutores de ligação do DPS (do circuito até o DPS e do DPS até o barramento de proteção) devem ser o mais curtos e retos possível, sem laços nem voltas. Durante o surto, cada pedaço extra de fio soma tensão à que chega aos equipamentos e reduz a eficácia da proteção. A NBR 5410 recomenda que o comprimento total dessas ligações não passe de 0,5 m.

Outros pontos que o profissional verifica na instalação:

  • a ligação adequada ao esquema de aterramento da edificação (o modo de ligação muda conforme o esquema);
  • a proteção associada ao DPS, conforme o projeto e as instruções do fabricante, para que um DPS em falha não comprometa a instalação;
  • as linhas de sinal (telefone, internet, antena, câmeras, interfone), que também trazem surtos para dentro e podem precisar de DPS próprio.

Vida útil, indicador de fim de vida e troca

DPS não é eterno. A cada surto que absorve, ele se desgasta, e um surto muito intenso pode levá-lo ao fim de vida de uma vez. Muitos modelos têm um indicador de estado, geralmente uma pequena janela que muda de cor quando o dispositivo precisa ser substituído. Alguns permitem trocar só o módulo (cartucho); outros exigem a troca do dispositivo inteiro.

Na prática:

  1. Inspecione o indicador periodicamente e depois de tempestades fortes ou de queima de equipamentos.
  2. Troque o DPS (ou o módulo) que indicar fim de vida, por outro com as características do projeto.
  3. Inclua o DPS na rotina de manutenção da instalação, com periodicidade definida conforme o uso e a criticidade.

Um DPS em fim de vida pode continuar no quadro com aparência normal e não proteger mais nada. É por isso que a inspeção importa.

Filtro de linha não é DPS de quadro

A régua de tomadas com botão, vendida como “filtro de linha”, não substitui o DPS do quadro. Muitos modelos têm apenas um fusível e um componente de supressão pequeno, quando têm. Na melhor das hipóteses, um protetor de tomada de boa qualidade funciona como um complemento local, perto do equipamento, e só faz sentido com o DPS do quadro e o aterramento em ordem.

Também não adianta ligar um protetor de tomada em uma tomada sem terra: sem caminho para a terra, ele não tem para onde desviar o surto.

Quando vale a pena instalar DPS

Algumas situações em que vale avaliar o DPS com um profissional:

  1. Equipamentos queimados após tempestades ou após quedas e retornos de energia.
  2. Edificação com SPDA, em que normalmente é preciso avaliar DPS tipo 1 na entrada.
  3. Entrada de energia aérea, em área aberta, rural ou mais exposta a descargas.
  4. Equipamentos sensíveis ou críticos: portões e automações, alarmes, câmeras, servidores, equipamentos de comércio, máquinas com eletrônica embarcada.
  5. Quadro antigo, reforma ou ampliação, momento natural para revisar aterramento, equipotencialização e proteções.
  6. DPS já instalado com indicador de fim de vida ou sem informação de quando foi colocado.

Como a FULLTEK ajuda

A FULLTEK atende casas, condomínios, comércios e indústrias em Salto, Itu, Indaiatuba e região com projeto e execução de instalações elétricas: avaliação do quadro e do esquema de aterramento, verificação da equipotencialização, especificação dos DPS adequados a cada ponto da instalação, montagem com ligações curtas e corretas, inspeção e substituição de DPS em fim de vida.

Perguntas frequentes

O DPS protege contra raio?
O DPS protege contra os surtos conduzidos pela fiação, inclusive os causados por descargas atmosféricas. Ele não protege a estrutura contra o impacto direto de um raio (isso é função do SPDA) e nenhum sistema garante proteção total.

Tenho para-raios. Preciso de DPS?
Sim. O SPDA protege a estrutura, não os equipamentos. Com SPDA, normalmente é preciso avaliar DPS tipo 1 na entrada, conforme o projeto.

Filtro de linha substitui o DPS?
Não. O filtro de linha, quando tem alguma proteção, é um complemento local. O DPS do quadro, com aterramento adequado, é a base da proteção.

De quanto em quanto tempo troco o DPS?
Não há prazo fixo. O DPS deve ser trocado quando indicar fim de vida. Por isso, o indicador precisa ser inspecionado periodicamente e depois de tempestades.

Conclusão e próximo passo

O DPS é uma peça importante da proteção da sua instalação, mas não trabalha sozinho: depende de aterramento, equipotencialização, especificação de projeto, instalação correta e inspeção periódica. Bem aplicado, reduz de forma significativa o risco de perder equipamentos com surtos. Promessa de proteção total, nenhum profissional sério faz.

Quer saber se o seu quadro tem o DPS certo, bem ligado e ainda funcionando? Fale com a FULLTEK. Energia que move, confiança que conecta.

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Foto: Fabexplosive / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 (modificada: marcas removidas, cor do indicador alterada, recorte e tratamento de luz)

Autor: Equipe FULLTEK

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