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Fiação subdimensionada: queda de tensão, aquecimento e quando refazer a instalação

Fiação subdimensionada: entenda queda de tensão, aquecimento, o que a NBR 5410 pede e quando refazer a instalação. FULLTEK em Salto e região.

Fiação subdimensionada: fios elétricos e queda de tensão — FULLTEK

Introdução

A tomada do micro-ondas que fica morna, o disjuntor do chuveiro que desarma no inverno, as lâmpadas que dão uma “piscada” quando o ar-condicionado liga. Muita gente em Salto e região convive com esses sinais por anos, achando que é normal. Em muitos casos, a causa é a mesma: fiação subdimensionada, isto é, fios mais finos do que o circuito precisa para a carga que alimenta hoje.

O problema nasce aos poucos: a instalação foi feita para uma realidade e o imóvel ganhou novos equipamentos e ampliações sem revisão de projeto. Neste artigo, você vai entender por que o fio esquenta, por que o disjuntor maior não é a solução, o que a NBR 5410 diz sobre seções mínimas e queda de tensão, como reconhecer um cabo duvidoso e quando vale refazer a instalação.

O que é fiação subdimensionada

Todo condutor tem uma seção (a “bitola”, em mm²) e, conforme as condições em que está instalado, uma corrente que consegue conduzir sem aquecer além do limite da isolação. A fiação está subdimensionada quando a corrente do circuito supera esse limite, ou quando o fio é fino demais para o comprimento do circuito e a tensão chega fraca na outra ponta.

Isso aparece em circuitos antigos que passaram a alimentar chuveiro mais potente, ar-condicionado ou cooktop; em vários aparelhos pendurados em benjamins e extensões; em circuitos longos, até a edícula, o portão ou o fundo do galpão; e em instalações feitas com cabo de baixa qualidade.

Por que o fio esquenta: a capacidade de condução

Corrente passando por um condutor gera calor. O que importa é se o fio consegue dissipar esse calor sem que a isolação passe da temperatura que suporta. Quando passa, a isolação resseca, perde a capacidade de isolar e pode derreter, abrindo caminho para curto-circuito e incêndio.

A NBR 5410 trata da capacidade de condução de corrente dos condutores (item 6.2.5), e um ponto é essencial: essa capacidade não é um número fixo para cada bitola. Ela depende de:

  • método de instalação: fio em eletroduto embutido, em eletroduto aparente, em eletrocalha ou enterrado não dissipa calor da mesma forma;
  • temperatura ambiente: um circuito que passa por forro quente ou área industrial aquecida conduz menos do que em local fresco;
  • agrupamento: vários circuitos no mesmo eletroduto ou eletrocalha se aquecem mutuamente.

A norma aplica fatores de correção para essas condições. Por isso, desconfie de tabelinhas de “bitola x amperes” que circulam como se valessem sempre: o mesmo fio pode ser adequado em uma situação e subdimensionado em outra. O dimensionamento é feito caso a caso, por profissional habilitado.

O disjuntor protege o fio: a coordenação que não pode ser quebrada

Muita gente acha que o disjuntor protege o aparelho. A função principal dele, no circuito, é proteger a fiação contra sobrecarga e curto-circuito. Para isso funcionar, a NBR 5410 (item 5.3.4) exige uma coordenação que, de forma simplificada, é:

corrente de projeto do circuito ≤ corrente nominal do disjuntor ≤ capacidade de condução do condutor

Ou seja: o disjuntor precisa ser grande o bastante para a carga normal do circuito e pequeno o bastante para desligar antes que o fio aqueça além do limite.

Aqui acontece o erro mais perigoso: o disjuntor desarma com frequência e alguém resolve “trocar por um maior para parar de cair”. Nunca faça isso. O desarme é o sintoma de que o circuito pede mais do que o fio aguenta. Com um disjuntor maior, ele deixa de desligar e o fio passa a aquecer além do limite, escondido na parede ou no forro. Esse é o tipo de improviso que gera incêndio.

A solução é descobrir a causa do desarme: excesso de carga, fiação subdimensionada, conexão ruim ou equipamento com defeito. A resposta pode ser dividir o circuito, criar um circuito exclusivo ou trocar a fiação, sempre a partir de uma avaliação.

Já o desarme do DR indica fuga de corrente, não sobrecarga, como explicamos no artigo sobre o dispositivo DR, e também não se resolve retirando o dispositivo.

Seções mínimas: o piso, não o objetivo

A NBR 5410 (item 6.2.6) estabelece seções mínimas para condutores de cobre em instalações fixas:

  • 1,5 mm² para circuitos de iluminação;
  • 2,5 mm² para circuitos de tomadas e de força.

Isso é o mínimo, não a resposta para todos os casos: um circuito pode precisar de seção maior por causa da corrente, do método de instalação, do agrupamento ou da queda de tensão. Já um fio abaixo desses mínimos, em circuitos de iluminação ou de tomadas e força, está em desacordo com a norma, seja qual for a carga.

Queda de tensão: quando a energia chega fraca

Mesmo sem aquecer de forma perigosa, um fio fino demais para o comprimento do circuito provoca queda de tensão: parte da tensão “fica pelo caminho” e o equipamento recebe menos do que deveria. Os sintomas comuns são luzes que piscam quando uma carga grande liga, chuveiro que esquenta menos e motores e bombas que partem com dificuldade e trabalham mais quentes.

A NBR 5410 trata do tema no item 6.2.7 e fixa limites que dependem de onde a queda é medida:

  • nos circuitos terminais (os que alimentam tomadas, iluminação e equipamentos), a queda de tensão não pode passar de 4%;
  • na instalação como um todo, o limite é de 5% quando calculado a partir do ponto de entrega em baixa tensão, que é o caso típico de casas e pequenos comércios atendidos pela distribuidora em baixa tensão;
  • esse limite total passa a 7% quando o cálculo parte do transformador (próprio, ou da distribuidora quando o ponto de entrega é nele) ou de gerador próprio.

Cada limite vale para a sua condição, e o cálculo considera corrente, comprimento e seção de cada trecho. Por isso, circuitos longos muitas vezes exigem fio mais grosso do que a corrente sozinha indicaria.

O cabo “econômico” e a certificação do Inmetro

Há uma fiação subdimensionada mais difícil de perceber: o cabo que parece ter a seção certa, mas não tem. Fios e cabos elétricos usados em instalações de baixa tensão estão sujeitos à certificação compulsória do Inmetro. Mesmo assim, há no mercado cabos “econômicos” com menos cobre do que a seção nominal indicada.

O efeito é o de um fio mais fino: mais aquecimento e mais queda de tensão. E o disjuntor foi escolhido contando com a seção escrita na isolação, não com a real, então a coordenação deixa de valer.

Para reduzir o risco:

  • compre de fabricantes e revendas conhecidos, com nota fiscal;
  • verifique o selo do Inmetro e as marcações na isolação (fabricante, seção, tensão);
  • desconfie de preços muito abaixo do mercado.

E o fio de alumínio?

A NBR 5410 impõe restrições fortes ao uso de condutores de alumínio em baixa tensão. Em residências, ele não é permitido. Onde a norma admite, é com condições específicas, projeto e conexões próprias. Trocar cobre por alumínio para economizar não é opção.

Sinais de alerta de fiação subdimensionada

Fique atento a estes sinais:

  1. Disjuntor que desarma com frequência, principalmente quando um equipamento potente é ligado.
  2. Tomadas, plugues ou interruptores quentes, escurecidos ou derretidos.
  3. Cheiro de plástico queimado perto de tomadas, do quadro ou do forro.
  4. Luzes que piscam ou enfraquecem quando o chuveiro, o ar-condicionado ou um motor liga.
  5. Fios com isolação ressecada, quebradiça ou com mudança de cor na saída do quadro ou nas caixas.
  6. Benjamins, extensões e réguas permanentes para alimentar vários aparelhos em um mesmo ponto.
  7. Equipamentos novos e potentes instalados sem revisão dos circuitos.

Se perceber cheiro de queimado, tomada derretida ou fio quente, desligue o circuito no quadro, se for seguro chegar até ele, e não volte a usar até a avaliação de um eletricista qualificado. Se houver fumaça ou fogo, saia do local e ligue para o 193.

Quando ajustar e quando refazer a instalação

Nem toda fiação subdimensionada exige trocar tudo. Depois do levantamento de cargas e circuitos, há três caminhos comuns:

  • Correção pontual: um circuito sobrecarregado se resolve redistribuindo cargas, criando um circuito exclusivo ou trocando os condutores daquele trecho, com a proteção coordenada à nova fiação.
  • Revisão do quadro: o quadro não comporta novos circuitos, não tem DR ou não tem condutor de proteção. Nesse momento, também vale revisar o aterramento, assunto do artigo sobre aterramento elétrico e os esquemas TN, TT e IT, e avaliar a proteção contra surtos, explicada no artigo sobre DPS.
  • Refazer a instalação: quando os sinais aparecem em vários circuitos, a isolação está envelhecida, há muitas emendas e ampliações sem projeto ou a carga total mudou muito.

Em imóveis mais antigos, o caminho mais seguro costuma ser uma adequação e modernização elétrica completa, com novo projeto, novos circuitos, quadro atualizado e proteções coordenadas com a fiação. Depois disso, a instalação deve entrar em uma rotina de manutenção elétrica preventiva, com periodicidade definida conforme o uso e a criticidade.

Há ainda a responsabilidade: o Código de Defesa do Consumidor (art. 39, VIII) proíbe colocar no mercado produto ou serviço em desacordo com as normas dos órgãos oficiais competentes ou, na falta delas, com as da ABNT ou de outra entidade credenciada pelo Conmetro.

Como a FULLTEK ajuda

A FULLTEK atende casas, condomínios, comércios e indústrias em Salto, Itu, Indaiatuba e região com serviços de adequações e modernizações elétricas: levantamento de cargas, verificação das seções e das condições de instalação dos condutores, cálculo de queda de tensão, redivisão e criação de circuitos, substituição de fiação com material certificado e atualização do quadro com disjuntores coordenados com os condutores e DR.

Perguntas frequentes

O disjuntor desarma toda hora. Posso trocar por um maior?
Não. O disjuntor é dimensionado para proteger o fio. Com um maior, o fio pode aquecer além do limite sem que nada desligue: caminho direto para incêndio. O certo é descobrir a causa do desarme.

Fio de 2,5 mm² serve para qualquer tomada?
Não necessariamente. 2,5 mm² é a seção mínima para circuitos de tomadas. Dependendo da carga, do comprimento, do método de instalação e do agrupamento, o circuito pode precisar de seção maior.

Existe uma tabela que diz quantos amperes cada fio aguenta?
A NBR 5410 tem tabelas, mas os valores mudam conforme método de instalação, temperatura e agrupamento. Uma tabela simplificada não vale para todas as situações.

Tomada quente é sinal de fiação subdimensionada?
Pode ser, mas também pode ser mau contato ou tomada inadequada para a carga. Em qualquer caso, desligue o circuito e chame um profissional.

Conclusão e próximo passo

Fiação subdimensionada aquece aos poucos, derruba a tensão, resseca a isolação e faz o disjuntor desarmar. A resposta nunca é um disjuntor maior: é avaliar carga, fiação e condições de instalação e, quando for o caso, refazer os circuitos com projeto e material certificado.

Quer saber se a fiação da sua casa ou empresa está à altura da carga que ela alimenta hoje? Fale com a FULLTEK. Energia que move, confiança que conecta.

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Foto: Koefbac / Wikimedia Commons (CC0).

Autor: Equipe FULLTEK

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